A Ilustre Máquina de Ramires

A Ilustre Máquina de Ramires, não cumprindo com fidelidade as “regras” de um livro de poemas, do autor asseguramos tratar-se do mais arguto fotógrafo português. Constrói o seu livro sobre o movimento contrário à amostragem de um fotógrafo que houvesse suprimido, porque dispensáveis, todos os títulos das fotos, quer dizer, suprime todas as fotos aos títulos, mas com a habilidade radical de nada se ter perdido na fotografia. O paradigma desta situação.
“Pormenor de deus. Foto de arquivo” , deixa-nos perplexos ante o infotografável da divindade. Ou, identicamente, em “Homem e mulher usando a profundidade e a luz” somos estimulados a visualizar uma infinitude de resoluções inesgotáveis. No mais, o livro de António Pocinho é percorrido pelo bom humor de quem não deve castidade ou vassalagem a nenhum ismo nem a ninguém.

Paulo da Costa Domingos, in EXPRESSO, 1988

FENDA · 1998, 1ª ed.· ISBN: 972-8529-38-4 · 96 páginas ·