Setembro 11, 2010

\ obrigado pelos objectos que me mandou…

Homenagem a António Pocinho

18 de Outubro de 1958 – 11 de Agosto de 2010

“Para que saibam, eu tenho seis palavras no meu nome completo – António Manuel Pocinho Figueiredo dos Santos – ou seja, seis nomes incompletos. Um deles é a contracção da preposição de com o artigo plural os – dos -, um nome minúsculo (mas que, ainda assim, merece a devida maiusculatura) entre Figueiredo e Santos. Os outros nomes são todos com iniciais maiúsculas. É tal a profusão de nomes que ora me tratam por dos minúsculo, ora por Dos maiúsculo, quando não por Dos Santos, Senhor Figueiredo ou Senhor Doutor Manuel Figueiredo, mas há umas maiúsculas Finanças que não querem saber que os meus pais me tivessem sobredotado de apelidos.”

É assim que António Pocinho, “nascido de um dióspiro”, se apresenta numa das suas obras mais emblemáticas Os Pés Frios Dentro da Cabeça.
Antropólogo, passageiro e condutor de escritos voadores, dispersos pela poesia, jornalismo, narrativas, revistas, postais ilustrados, frases avulsas e textos para teatro, cinema, animação ou música; António Pocinho era um coleccionador de “objectos” e de “obras”, a quem “saiam políticos nos corn-flakes”, ou que “invadia países a seguir ao pequeno-almoço”. Critico atento do universo, deixou uma obra paradoxal, imbuída de ironia e de humor negro, visitando universos tão diferentes como a realidade quotidiana ou a ficção científica e sociológica. Exercitando o equilíbrio entre a narrativa, a poesia e a harmonia com registos tão diferentes como o lúdico, o trágico e o lírico.
Objectos Escritos Não Identificados, é o conjunto de objectos do livro Os Pés Frios Dentro da Cabeça (1999) que, conjuntamente, com A Ilustre Máquina de Ramires (1999) e Os Mistérios de Casimiro (2002), são repostos nas livrarias para interessados e não interessados.

Enquanto aguardamos uma “resposta de úrano” ou um “postal ilustrado da terra”, e enquanto não nos chegam mais objectos do universo, congratulemo-nos com os objectos que nos deixou. Cá fora, pretende iniciar essa trajectória entre planetas, recolhendo os cadernos de ‘papel de mesa’ que o autor deixou por aí…

Para assinalar o 53º ano em que, António Pocinho “foi seleccionado para um lugar que estava em aberto aqui na terra”, um grupo de artistas e amigos (habitantes do planeta) encontram-se dia 18 de Outubro na ZDB para assinalar mais uma passagem das 53 órbitas do escritor. Para quem aparecer, barbara says preparou uma brochura com os textos que o autor escreveu para a Flirt.

Participantes:

Adelino Tavares, barbara says, Carlos Moisés, Diana Almeida, Didier Hochart, Francisco Rebelo, Gimba, Joana Bagulho, Jorge Rivotti, JP Simões, Margarida Vale de Gato, Natxo Checa, ohabitante, Rui Zink, Ruy Otero, Samuel Uria, Tiago Gomes, Tiago Taron.

Coordenação: ZDB & Maria João Pocinho
Assistência: Rafael Vieira